28. Marina Abramovic & Pina
Continua sendo uma primeira experiência, sem dúvidas, mas longe de ser louca, foi linda, foi fascinante, foi emocionante. Ambos os documentários discorrem muito bem sobre toda a dedicação necessária para se fazer uma performance. Eu, como alguém que já esteve várias vezes em cima de um palco apresentando algo que é, em certos níveis, performático, com certeza tive um momento de deslumbre e de reflexão muito grande. Acho que as coisas a que eu assisti vão, com certeza, refletir nas minhas próximas apresentações (se eu me lembrar até lá, né? porque a memória aqui é pra lá de péssima hehe).
PINA (2011)
É... eu acabei invertendo a "ordem" das coisas e assisti à Pina antes de Marina Ambramovic, então vou começar por este filme/documentário (não sei, não faço ideia mesmo). Eu achei incrível como eu até que gostei disso? Não que seja algo que tenha me emocionado ou que tenha me prendido (tanto que o sono bateu bem forte na metade da coisa e eu não tive mais forças para assistir em um único dia hehe). MAS, apesar disso, foi o meu primeiro contato com uma performance desse tipo. Deixa eu explicar isso um pouquinho melhor: como vocês sabem (se vocês leram certinho o meu post de apresentação) eu toco taiko (pesquisem sobre, é bem legal hehe) e então eu meio que estou acostumada com o palco, apresentações tanto do meu grupo quanto a de outros, e coisas do tipo. Teve até um show do grupo profissional do meu grupo que teve um pinguinho mais performático e com algo que sai um pouco do taiko e vai para o campo da dança, mas nada comparado a tudo isso que foi mostrado no filme. Então, foi um grande choque o nível performático apresentado pelos dançarinos. Cada movimento era feito por uma razão, com intenção de ser aquele movimento, me prendeu muito a atenção como eles se dedicavam a cada respiração. Mesmo nos passos que se repetiam incansavelmente, tudo era feito intencionalmente e com dedicação - e acho que esse é o efeito de Pina em cada um de seus alunos? não sei bem, mas em cada pessoa que teve contato com ela e que ela inspirou a dançar.
Esse é outro ponto interessante desse documentário: apesar do nome dele ser "Pina", ele não trata da biografia dela ou de algo do tipo, mas sim da inspiração que ela despertou nas pessoas, como ela deu um meio para essa pessoas se expressarem, como ela despertava, sei lá, o melhor daquelas pessoas ou como ela as ajudava a chegar lá. É praticamente como se ela não tivesse partido, como se ela ainda estivesse viva nas performances e naqueles que dançam - tem até algum momento que alguém fala algo como é como se um pedaço dela estivesse em cada um de nós, ou como se cada um de nós fossemos um pedaço dela, ou alguma coisa por aí, acho que isso retrata bem o que eu quero falar.
Falando um pouco mais sobre as performances mostradas, eu achei interessante como, mesmo que muitas delas fossem uma repetição incessante de um conjunto de gestos, eu creio que alguma mensagem quer ser passada, algo quer ser representado e provavelmente se consegue isso. Eu, Miki Takaesu, não compreendi muito... posso até enxergar a dança e as pessoas, mas não entendo o que está sendo dito por cada um deles e dos movimentos feitos. É como, por exemplo, ler um idioma qualquer: você pode estudar o alfabeto e conseguir até ler as palavras, mas não se tem vocabulário o suficiente para entender o que se lê; mais ou menos nessa linha de raciocínio.
Outro ponto muito interessante das performances foi que nem todas eram realizadas dentro de um palco fechado, pelo contrário, muitas foram feitas ao ar livre, em espaços públicos, em lugares abertos. Isso foi muito lindo. Cada mudança de cenário, como as pessoas interagiam (ou não) com o ambiente onde estavam, como o local influencia diretamente na vibe da performance. Ah! Outra coisa muito legal é isso né? Como a dança, obviamente, dialoga diretamente com o espaço - é óbvio, mas não é muito notado, sei lá, nunca tinha parado pra pensar nisso direito hehe. É uma epifania, né? Acho que sim haha! Tipo, a essência da dança é o espaço.
Ah! Outra coisa que me foi deslumbrante: como a dança é o meio de expressão daqueles que dançam. Como se palavras não fossem o suficiente, como se eles não estivessem completos apenas com palavras ou sons, como se faltasse algo. Eu notei que, para muitos ali, Pina foi aquele empurrãozinho necessário para alcançar isso, como se ela mostrasse pra eles o início do caminho de expressão deles. Não faço ideia se tá dando pra acompanhar meu raciocínio (minha mente tá uma bagunça sahushauhsa), mas acho que é algo do tipo. Como se ela mostrasse pra eles ou os incentivasse a tentar e a explorar o mundo da dança e, com isso, aprender a se expressar de verdade, expressar aquilo que palavras não conseguiam.
Assim.... creio que seja isso. Como eu disse: minha mente está um caos e eu não tô conseguindo organizar isso direito skaksaksa! Mas, espero de verdade que tenha feito algum sentido. Eu até que gostei do filma/documentário, foi bem interessante e abriu bastante a minha visão quanto à dança e a performances. Algumas coisas foram meio estranhas e outras me causaram algum desconforto (como aquela cena de uma mulher sendo tocada por um monte de homem e ELA NÃO SE MEXIA, MEU DEUS; e a que tinha uma moça que jogava terra na outra, acho que ela deve ter comido muito terra naquela performance, jesus). Mas relevemos, porque creio que faça parte.
MARINA ABRAMOVIC: THE ARTIST IS PRESENT (2012)
Se Pina me atingiu de alguma maneira, esse documentário me destruiu completamente. É isso. O documentário gira em torno, acho eu, da performance da Marina no MoMA. Disso, fazem-se algumas ramificações como contar sobre sua família, seu passado, sua vida amorosa e sua carreira num geral.
Sinceramente? Não sei muito o que comentar... eu estou literalmente sem palavras para descrever o que eu senti enquanto assistia a esse documentário. Creio que parta um pouco de mim e um pouco da pessoa que ela se mostra ser, mas o nível de conexão que eu estabeleci com o que me foi mostrado foi incrível. Eu sou uma pessoa que sente bastante, eu me envolvo emocionalmente com as coisas muito fácil, e parece que esse documentário simplesmente me fez mergulhar em mim mesma e entrar num estado emocional de outro nível. Sei lá skaksakska.
Eu até pensei em escrever essa análise com apenas uma ou duas palavras: extremo, radical. Mas acho que não é esse o propósito desse post. Eu quero discorrer um pouco mais sobre o que esse documentário despertou em mim - só tá um pouco difícil de encontrar as palavras certas para organizar meus pensamentos.
É simplesmente lindo como ela se dedica 100% à performance. Isso me tocou demais, me fez querer estar lá, sentar na frente dela e mergulhar nos meus próprios sentimentos e nos dela também. Acho que ver como apenas ficar lá, sentada, o dia inteiro, é um processo cansativo me fez ainda mais frágil a todo o documentário (queria apenas dizer a todas as pessoas que tentaram arruinar a performance: quanta falta de respeito, quanta audácia, quanto egoísmo passa pelas suas veias? de verdade...). E acho que exatamente por isso que quando ela saiu da posição estática e segurou as mãos do Ulay, meio que quebrando uma das bases da performance, foi algo tão emocionante - isso somada a toda a história que foi contada sobre os dois = lágrimas.
Outro momento incrível do documentário foi o treinamento (?) de três dias que ela fez com aqueles que reinterpretariam suas performances. Foi extremamente clara a mensagem: "performance é uma questão de estado mental". Foi lindo como ela fez cada uma daquelas pessoas se dedicar ao seu máximo, todo o seu ser, fisica e psicologicamente, a atividades relativamente simples e como isso refletiu no futuro com as performances. "Performance é uma questão de estado mental" é sobre isso. É assim que uma performance chega ao local mais íntimo daquele que a assiste. É assim que uma performance atinge o nosso interior e nos emociona. É assim que apenas olhar para um pessoa se torna arte: se dedicando totalmente àquilo, com a mente 100% dedicada àquilo.
Eu continuo sem saber como me expressar aqui. São muitos pontos específicos que me chamaram a atenção e que me tocaram de um jeito inexplicável, MAS, minha memória é simplesmente péssima (não sei se deu pra perceber ainda kskaksaksa) então eu não vou conseguir explicar direito hehe. Esse documentário foi simplesmente incrível. Não sei se vou me lembrar de tudo que eu vi (provavelmente teria que rever para entrar num segunda estágio de reflexão e tals), mas a sensação de que ele me atingiu em um local extremamente pessoal e íntimo é real. Foi lindo, simplesmente.
Queria encerrar com uma das frases que mais me tocou no documentário inteiro: os artistas têm de ser guerreiros, têm de estar determinados e ter energia para conquistar não só novos territórios, mas também eles mesmos... e suas fraquezas. Então não importa o trabalho que se faz como artista, o mais importante é o estado mental com que você o realiza. Performance é uma questão de estado mental.

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