20. Nossas Imagens - Vilém Flusser :)
A ATIVIDADE
Segunda-feira, dia 5 de julho, os professores pediram para que nós lêssemos o texto "Nossas imagens", de Vilém Flusser, e que analisássemos as questões levantadas após a palestra anteriormente vista.
MINHAS QUESTÕES (feitas para a última aula)
1. Eu entendo que Flusser diz que, quando uma imagem representa o mundo, ela também o esconde e que isso seria a justificativa para o seu caráter antirrepublicano e antipolítico. Mas, ao representar variados pontos de vista de um evento, ela não ganha um caráter democrático, também? Porque ela inclui a maior quantidade de pontos de vista que um fotógrafo consegue captar.
2. Se um evento não for registrado, ele não pode se perder no tempo? Por mais que ele seja feito pensado em ter consequências e que por isso ele pode impactar até os dias atuais, eu, Miki Takaesu, tenho uma memória extremamente péssima e gosto dessa ideia de poder registrar coisas que acontecem na minha vida pra me ajudar a relembrar e reviver um pouco o que eu senti no momento que estava acontecendo.
3. Eu queria perguntar se em algum momento a imagem deixa de tomar o lugar da realidade. Porque, por exemplo, com uma foto fora do seu contexto original, é possível manipular as pessoas a enxergar algo que nós queremos que elas enxerguem (acho que é um pouco o que foi discutido no primeiro episódio do documentário Ways of Seeing, que a gente deu uma analisada antes). Sei lá se esse questionamento tem lugar aqui, mas é só algo que passou pela minha mente.
ANÁLISES DAS MINHAS QUESTÕES
Só na aula de segunda, eu já tive algumas realizações quanto às minhas questões. Por exemplo, a primeira: foi dito que Flusser refere-se muito a etimologia das palavras, logo quando ele diz "político" no sentido de pólis, de público, e não no sentido que prevalece atualmente da palavra. Então, sobre a minha primeira pergunta, acho que ela foi bem sanada durante a discussão da aula.
Tendo lido o texto pedido, minhas análises são:
Quanto à minha primeira questão, no texto o tema política não é tão demarcado quanto na palestra. Acho que a análise segue muito o que foi discutido em aula mesmo. Mas, também acho importante ressaltar que a questão de coletar várias visões não diz respeito necessaria e especificamente às várias visões, mas acho que ao fato de um mesmo "evento" ter que acontecer repetidas vezes, o que o faz deixar de ser evento e passar a ser "acontecimento", apenas para que várias visões possam ser coletadas. Foi dado de exemplo na aula o caso de uma pessoa, não lembro bem qual era o ser cargo, que estava renunciando e que teve que discursar várias vezes para diversas câmeras, apenas para que várias imagens pudessem ser feitas.
Eu conheço a minha memória e posso afirmar que ela é bem péssima e que, por isso, eu gosto de registrar momentos seja com fotos, seja com vídeos. Sobre a segunda questão, acho que o ponto não é o registro mas a manipulação da realidade e das ações a fim de que possam ser registradas. Tipo, o problema maior seria a possibilidade, ou até a realidade, de esses eventos (ou acontecimentos, não sei mais também ksakskaska) da minha vida estarem sendo provocados para que as câmeras possam sugá-los e "registrá-los". Tendo isso em mente, eu acho que não deve ser um problema tão grande para mim, porque esses momentos que acontecem e que eu quero deixar registrados não estão acontecendo para que eu os registre, mas apenas estão acontecendo. As fotos e os vídeos são apenas consequências desses eventos e não causadores dele (espero eu também hehe)
Confesso que quando fiz esse terceiro questionamento, eu tinha interpretado a frase "a imagem se torna a realidade" ao pé da letra, tipo, literalmente isso. Mas, depois da aula de segunda, eu percebi que isso se referia mais ao fato de a realidade passar a ser guiada PARA ser registrada, PARA que se façam imagens. Não que elas são, literalmente, a realidade, mas que a realidade passa a acontecer para as fotografias (não faço ideia se isso faz sentido para você que está lendo, mas eu juro que na minha mente, agora, faz hehe). Porém, depois de ler o texto, acho que eu responderia que sim, em algum momento a imagem deixará de tomar o lugar da realidade, pelo menos do modo como eu interpretei o texto. Porque, Flusser fala, na última página, "A contrarrevolução das tecnoimagens é superável graças à faculdade nova, a ser desenvolvida, e que pode ser chamada "tecnoimaginação": capacidade de decifrar tecnoimagens". O que eu entendi foi: a partir do momento em que as tecnoimagens forem decifradas pela tecnoimaginação, nós nos libertaremos do modo programado de conhecer a realidade.

Comentários
Postar um comentário