3. Ursinho de Pelúcia em: Animação Cultural :)

Inserção do Ursinho de Pelúcia em "Animação Cultural" de Flusser

"No fundo, a nossa Revolução não passa de inversão da relação "homem-objeto". Em vez de funcionarmos em função da humanidade, esta passa a comportar-se em função do nosso próprio funcionamento. Passamos nós a ser os animadores da humanidade."

O ursinho de pelúcia, então, se manifesta. 

Perdoe-me por interrompê-la, cara companheira mesa, mas gostaria de me expressar. Creio que estou um passo à frente de todos aqui presentes quanto à Revolução. Não quero criar intrigas, afinal, devemos deixar isso aos humanos, é a única coisa que fazem bem, mas não digo que estou adiantada à toa. Justifico-me: você diz que, por hora, funcionamos em função da humanidade, mas posso dizer que, para nós, pelúcias, ela está a mercê de nossa existência. Quando qualquer tipo de emoção atinge um humano, é de sua natureza procurar uma maneira de exteriorizar tal sentimento com outro indivíduo, é uma necessidade da sua essência. Raramente, tal indivíduo é algum familiar. O humano procura um amigo, um amante ou até mesmo um estranho para exibir suas emoções.

Numa realidade como a atual, em que está acontecendo o que eles chamam de "pandemia", a humanidade se encontra fragilizada e os ciclos sociais deixaram de ser tão frequentes. É aí que nós, pelúcias, entramos e reinamos. Sem seu principal meio de extravasamento, o ser humano fica a mercê da companhia de uma pelúcia. Nós passamos a ditar seu comportamento: sempre que ficam excitados, melancólicos, carentes e até em momentos de descanso, os humanos nos procuram para se satisfazerem emocionalmente. 

Eles vêm até nós, como antes nós íamos até eles. Eles precisam de nós, como antes nós precisávamos deles. Eles não agem mais como queriam, como nós não agíamos como queríamos. Ou seja, nós, pelúcias, se já não somos, estamos quase nos tornando as animadoras da humanidade.

Não vou me estender mais, porque minha mensagem está clara. Perdoem-me a intromissão e o pequeno exibicionismo. Devolvo a palavra à nossa consagrada mesa, que parecia estar encerrando seu discurso.


É isso :)

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